Após

Falavam em caos, se mudanças não fossem feitas com urgência. Aquele velho discurso. Como sempre, essas mudanças nunca chegam, pela simples razão de que ninguém quer mudar nada além dos condutores da carruagem. Então, a coisa ficou feia.

Imagine os recursos que existem, com a mesma abundância com que são retirados de circulação pelos impostos, de repente começarem a escassear com a atividade comercial entrando em espiral de queda, enredada no círculo vicioso da carência, que à medida que vai aumentando, multiplica-se. Então, veio a fome.

Como se não bastasse, o clima piora bastante. A seca nunca vista torna o país impraticável. Há quebra de safra, de bancos, de tudo. E queimadas espontâneas (e provocadas). Mortes. Todas as maldições previstas vão tomando corpo ao mesmo tempo, mas sem chegar aos pés do gigantesco arrependimento coletivo que fica minúsculo ante a possibilidade de recuar. Então, de repente, a guerra explode.

Ótimo negócio para os que vendiam armas, os que prometiam paz e prosperidade futuras, seu ponto alto de eficiência acontecendo ao desbastar do contingente de desempregados, expurgando o ódio em excesso, quando um silêncio gordo e lento vira a esquina sobrepondo-se ao vácuo daquele ponto da cidade onde os pobres se amontoavam antes dos acontecimentos. Então, o clarão seguido de vendaval precede a chuva que dura muitos dias.

O combustível, quando está sobrando, pode parar tudo se uma fagulha o encontra, como é do conhecimento de todos. Quando a inflamação passa do ponto, vira necrose. O dinheiro perdeu o valor que a vida já não tinha. As armas, a utilidade. Então, veio o armistício.