Feladaputas

dedinho no olho

Antes de iniciarmos, adendo importante. À guisa de preâmbulo e mea culpa, pedimos perdão às putas e aos seus que a priori nada têm a ver com o tipo aqui descrito. Ao utilizarmos o termo grafado feladaputa nos referiremos às variadas cepas de canalhas que, por esporte, preguiça ou puro prazer valham-se de expedientes desonestos para satisfazer das mais básicas pulsões às metas estratosféricas.

O feladaputa é um sujeito ubíquo. Podemos encontrá-lo em todas as famílias, na vizinhança, em salas de aula, fóruns e tribunais. Ainda assim, costumam ser distintos, sobressaindo à multidão naturalmente.

Há professores feladaputas, pastores feladaputas, engenheiros, médicos, advogados, juízes (data vênia!), garis. Também os há entre presidentes, domésticas e pedreiros, assim como entre atletas, diplomatas, psicanalistas e atores. O meio musical é pontuado por eles. Nas igrejas em geral, principalmente irmandades onde reine o moralismo figadal sempre de mãos dadas com a hipocrisia, feladaputas fazem coro. Onde há fiscal de cu, haverá um feladaputa potencial fazendo serão. As repartições públicas onde abundam estão aí para confirmar. Da próxima vez em que visitar alguma, observe como são verdadeiros criatórios do gênero.

Na empresa em que você dá expediente também deve haver ao menos um desses seres desprezíveis. Costumam viver nas sombras quando sua vocação não é evidente. Se a personalidade grita, o feladaputa exibe-se pândego envergando a feladaputice de maneira tão natural como se colhesse uma fruta no pé. É de dar dó aos mais compassivos; medo aos temerosos; admiração enojada àqueles sensíveis às imperfeições do caráter humano.

O feladaputa raiz não tem amigos. Quando os tem, ou são feladaputas como ele ou pessoa tão chata e tão dada a chatices e que tais que gente alguma os quer por perto além do necessário. Não o feladaputa. Nunca. Este as acolhe amiúde, menos por piedade que pelo puro interesse. Nunca se sabe de quem precisaremos amanhã, não é mesmo? Absolutamente prudentes, feladaputas são dados à prática do networking.

Não há muito como evitá-los, embora não faltem maneiras de tratá-los numa espécie de prática de redução de danos.

Vamos a ela:

a) Jamais bata de frente com um feladaputa. É contraproducente. Seja cínico tanto quanto. Haja com dissimulação. Esbanje falsa alegria ao encontrá-lo e ganhará sua simpatia imediata;

b) Se você é do time que preza quantidade à qualidade, lidar bem com feladaputas é garantia vantajosa de pontos no xadrez da socialização;

c) Siga o feladaputa como um investigador à rota do dinheiro sujo e você encontrará a mina de onde emana o poder. Feladaputas são crias do poder; não raro, criadores entre os mais talentosos. E, no caso de lhes faltarem colhões, servis puxa-sacos aferrados às bolas alheias em simbiótica vassalagem. Não se engane, esses inofensivos carrapatos são os mais perigosos. Não é à toa que a política seja seu habitat;

d) Só se envolva romanticamente com um feladaputa se, além de masoquista, possuir tendências suicidas. Eles jamais saberão o que é amar;

e) Sexo com feladaputas pode ser emocionante como a prática de esportes radicais. Prepare-se para as doenças venéreas. São a única certeza além do desprezo pós-coito dessa linhagem sedutora de psicopatas.

Nossa sugestão ao final deste pequeno tratado é que você se entretenha na observação diária da classe de animais mais deplorável entre os humanos. Sua percepção será ainda mais valiosa que a leitura do presente opúsculo. O feladaputa é uma personagem lamentável. Mas acompanhar seus movimentos pode ser divertidíssimo como o roteiro de séries estruturadas em turning points surpreendentes.

Ao feladaputa, nosso brinde de gratidão por ensinar-nos tanto sobre as piores possibilidades em todos nós.