Drone

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Quando eu morrer, em 2068, serei cremado. Metade de minhas cinzas serão prensadas em um vinil com minhas doze faixas preferidas. A outra metade será colocada em um drone para ser espalhada nas nuvens sobre alguma montanha.

Esse drone não será guiado por ninguém, pois terá recebido um upload da minha consciência. O objeto voador serei eu. Ou melhor, uma continuação do que fui até o dia da minha morte.

Seguirá voando até chocar-se com algum outro objeto voador num acidente ou encontrar e reconhecer outras consciências em outros objetos e a um deles quiser transferir-se passando a ser parte de um consciente coletivo, acasalando-se por afinidade intelectual.

Naturalmente, o sexo será exclusividade das primitivas formas de vida orgânica animal; não seremos mais escravos dos desnecessários desejos da carne, nem submetidos à ditadura de vícios como a gula e o álcool.

Às consciências restarão a imaginação, a fruição estética e o amor em estado puro. Movidas a energia solar, autorreparáveis com grafeno produzido a partir de CO2 captado da atmosfera, seremos imortais enquanto der.

Quanto ao vinil, só deus sabe quem um dia ouvirá minha seleção.

https://vimeo.com/150238793