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Em poucos anos, quem não morrer da morte morrida da velhice ou canseira da vida e nem de vírus ou bactéria ou d’alguma radiação malsã, será incinerado pelo calor do sol. Vai derreter e grudar no asfalto e virar chiclete de gente. Já quase não haverá empregos ou razão para sair de casa. E virá, então, o meteoro e a fumaça vai tornar o ar grosso de se respirar. A elite se mudará para o fundo dos oceanos, levando seus cachorros, empregados, assistentes, analistas, massagistas, terapeutas e videntes até uma área livre dos vulcões então em atividade intermitente, longe do Pacífico. Os homens-peixe dominarão o que sobrar da terra. Poucos lerão porque isso será desnecessário e tedioso numa sociedade dominada por símbolos audiovisuais. A música continuará. Os filmes também. E a religião. E a fascinação pelo sexo, por peitões e pelo pau maior. E a fofoca continuará. E o medo da morte. E a pressa em experimentar qualquer novidade que será esquecida ainda mais rápido do que agora, quase à velocidade do pensamento. E a política seguirá como sinônimo de corrupção.