Sal

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Quando tudo parece uma pedra de sal, bloco seco de ardência, me lembro que sou mar. Quando o sol levanta, eu me lembro. Quando com a tarde ele desce no sem fim do horizonte, eu me lembro.

Não posso me esquecer de todos que já fui nem do quanto em mim há de sertão. Mas, mais do que tudo, me lembro de que sou mar. Elo entre as nuvens e o pó sem idade.

Ao meio-dia, em plena seca, eu sou mar. Água do céu, do rio e da lágrima. Água sob o manto da terra, água que se expande ao degelo dos icebergs.

No meio do sertão estou eu, o mar. Debaixo do céu que envolve tudo, venho e vou com as ondas de calor. Uma gota. Sou como o mar inteiro. Fiapo de nuvem. Livre em me derramar. Sou mar.

Por tudo que me habita e pelo que me deixou, sou mar. Nesse deserto, nunca me esqueço. Pouco importa onde ele começa; o mar, como a tristeza, não tem fim.