Limbo Vox

alvabernardine

 

Dizem que o corpo é prisão do espírito, mas foi sempre o segundo a me limitar. Meu corpo apontava o portão, o espírito temia a liberdade. Não tenho tantas saudades de outros corpos quanto do meu próprio.

Agora que sou essa chama sem vela, às vezes me assalta o desejo pelo peso do invólucro de carne e também do encontro entre o meu casulo e tantos outros. E, de novo, a revelação que tive em vida de que certos casulos foram feitos para se encaixar à perfeição, embora as almas não se imbricassem, ressalta este oco. As almas gêmeas encontrariam plenitude na carne gêmea e, nesse encontro, transmutação libertadora.

Trato aqui mais de nostalgia que de algum delay evolutivo. Espíritos são universos complexos, mas corpos são mundos à parte. Não me basta experimentar o empréstimo de sensações alheias habitando-lhes as mentes para momentos de playground físico, preciso de casa própria.

Há tantos mundos para conhecer, mas resta muito a explorar neste aqui. Devo voltar à Terra ainda esse ano.