Mais-valia

 

passageira

O capitalismo propôs que tempo é dinheiro, criando a equação diabólica na qual o dinheiro que você ganha é inversamente proporcional ao tempo que lhe é subtraído. Ou seja, dispor de mais tempo é ter menos dinheiro no bolso, e vice-versa. Um camarada meu, marxisticamente, cita sempre o dito popular que afirma que quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro, retrato fiel da época de megaexploração da mão-de-obra na qual vivemos.

A não ser que você subsista de renda ou ganhe na loteria é preciso trocar parte do tempo precioso da sua existência, – que não tem preço, mas a gente nem se dá conta, inebriados que estamos na roda do consumo (enquanto você consome também é consumido, emenda o chapa com sabedoria zen) – por dinheiro.

Tem gente que consegue ganhar muito dinheiro trabalhando duro, sem parar. Tanto que nem sobra tempo para gastá-lo. Coisa que alguém vai fazer em seu lugar, porque dinheiro, assim como a energia, jamais se perde, se transforma. Passa de um bolso ao outro e vai girando, girando, de pessoa a pessoa, de país para país (dinheiro parado não rende, afirmava um comercial de caderneta de poupança nos idos anos 70).

Outros (muitos; aliás, a maioria), também trabalham duro e nunca conseguirão nada além de uns caraminguás no final do mês, enquanto seus patrões, sócios, companheiros ou quem quer que os explore, enriquecerá com o lucro do seu suor. É esse, aliás, o pilar maior no qual se sustenta o modo de produção dito capitalista, segundo explicou com propriedade o tio Carlos.

Não importa se os ricos ficam mais ricos e os pobre mais pobres, o que nesse sistema quase invariavelmente acontece, a questão é: QUEM VAI FICAR COM O SEU TEMPO? A verdadeira moeda por trás de tudo. Tempo é ouro. Perder tempo é rasgar dinheiro. Matar tempo é um pouco se matar. Ganhar tempo, ou simplesmente utilizá-lo como você bem quiser, é o que define o verdadeiro milionário.

Dinheiro é tempo. E tempo é o bem maior da nossa frágil e curta existência. Pense nisso quando você estiver desperdiçando o seu com alguém ou algo de que não gosta, senão, quando se der conta, seu tempo pode estar chegando ao fim. E, diferente do dinheiro, o tempo não pode ser ressarcido.

(via Medium)