A luz da velocidade

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Cada dia bate uma nova onda na praia científica do comportamento. Marola não muito recente quebrou dias atrás no casco do nosso barquinho, enquanto atravessávamos os arquivos da Slate, pesquisando temas genéricos. Na crista da matéria, embasada nas extenuantes missões de pesquisa que nossos irmãos do norte adoram empreender, está que o impulso de buscar mexe com a gente mais fundo do que o de encontrar. Foi testado nos ratinhos também, claro.

Gugar (e tuitar, feicebucar, instagranear etc.) seria uma espécie de cocaína virtual (“põe mais uma fat keyword aê!”). A navegação de cabotagem que a gente pratica nesse litoral sem fim, sem nunca se embrenhar muito no sertão das coisas (ai, que tédio!) longe de só nos manter à deriva, atiçaria a tripulação de neurônios a se jogar numa odisseia enlouquecida pelo canto das sereias virtuais, num loop nonstop, de porto em porto, ligadaços até secar a Duracell.

Navegar não seria apenas preciso ou compulsório. Poderia tornar-se compulsão retroalimentada, ancorada no tsunami de prazer provocado pelo embalo das ondas.

Não que a gente não persiga os finalmentes, mas a viagem até o point é o que realmente acende o farol. O que explica e justifica um monte de coisas que, dos pré-socráticos aos viciados em Game of Thrones, truco ou pompoarismo, já sabíamos. Mas vício é vício. Ainda que convenientemente utilitário, escravizante.

A culpada bioquímica ─ a bola da vez ─ é a dopamina; o jogador seria, como em casos de hiperatividade, só mais uma vítima.

Se isso funcionar igual com outros animais, podemos concluir que a mesma curiosidade que matou o gato também o fazia mais vivo.

(via Medium)