Inimigo secreto

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Bebo para tornar as outras pessoas interessantes, afirmou George Jean Nathan. Ele não notou, talvez porque estivesse bêbado demais, que se todos beberem, menos você, o ambiente pode ficar ainda mais interessante. E divertidíssimo.

Essa época de confraternização e reencontros compulsórios pede drogas socializantes como o álcool, tanto pelo potencial de diversão que as reuniões encerram quanto pela chatice intrínseca às mesmas, quando somos obrigados a ficar a um palmo de gente cuja única identidade conosco é o acaso genético, no caso do parentesco, ou profissional, no caso do firma-coleguismo.

Embora reconheça a utilidade (e delícias) das ocasionais alterações perceptivas ― além do valor necessário do ato hipóóócrita, como cantou Caê ― nessas reuniões de final de ano, descobri que manter-se sóbrio é muito, mas muito mais divertido. E de imensa utilidade.

Empurre mais uma dose ao seu desafeto e seja brindado com revelações surpreendentes. Estimule a liberação geral, sem entrar nela, e assista de camarote ao despencamento generalizado de saltos e hierarquias, à prova final de tudo que você já sabia faz tempo.

Maldade? De maneira nenhuma. Crueldade? Talvez, um tiquinho. Curiosidade? Muita. Muita mesmo. E senso de ridículo. E de sobrevivência.

Mas à razão principal podemos chamar vingança. Vingança pura. Em 99% dos casos, perda de tempo e energia, mas que deve, como tudo na vida, ser divertido se posto em prática. Nada desse negócio de prato que se come frio, que altera o sabor da comida e aumenta a possibilidade de contaminação por toxinas e bactérias letais. A verdadeira vingança é um drink que se saboreia gelado. Deve descer redondo, sem que a graduação alcoólica interfira no mix, e ser degustado na melhor cadeira do salão, aquela que oferece o ângulo privilegiado da festa.

Cheers!