Peripatese atlética

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Os filósofos gregos chamados peripatéticos curtiam dar uma voltinha enquanto discutiam temas como a gênese do universo, o significado da existência, a natureza humana etc. Prática semelhante poderia ser introduzida em nossas academias (palavra aqui a gozar plenamente seu múltiplo sentido). Correr, andar ― à pé ou de bicicleta ― em duplas ou trios, sempre ao ar livre, entabulando animado colóquio sobre a condição humana, estimula a dialética fisiológica entre pensamento e carne triste.

Insights obtidos sob ação de substâncias bioquímicas têm maior probabilidade de ocorrer enquanto nos exercitamos e nosso organismo produz endorfinas, serotoninas e outras inas durante exercícios com duração superior a 40 minutos. Mente e corpo, excitados mutuamente, aceleram a queima de calorias e fazem com que a reflexão se aprofunde, com aumento comprovado da concentração. Ou seja, podemos oxigenar células e ideias a um só tempo.

Numa época inflacionada por promoções, falta de tempo e exigências de todos os tipos, o serviço dois em um, de irresistível apelo mercadológico, seria oferecido por uma nova categoria profissional que faria a ponte universidade-academia de ginástica: o Personal Thinker. Filósofo de aluguel, misto de treinador físico e preceptor intelectual, que em determinadas situações poderia também fazer as vezes de psicoterapeuta (desde que, lógico, o sujeito tivesse formação em psicologia).

Freud jamais imaginaria esse encontro entre Aristóteles e o Dr. Kenneth Cooper. Viveríamos um renascimento do conceito espartano (com contornos atenienses) de corpo são em mente idem. O ecossistema social beneficiaria-se com a possibilidade de se reequilibrar, colocando em rota de extinção várias espécies de gafanhotos humanos, tais como barbies ocas, siliconadas sem-sentido e pitboys babões. Seria o início da nova era de gente fina, elegante e sincera? Quem sabe em 2014 alguém não dá start no movimento.