Das luzes

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(o texto abaixo, escrito em outubro de 2005, continua atual)

Iluminar qualquer lanterna ilumina, já achar um homem honesto continua o mesmo problema desde os tempos de Diógenes. Não existe honestidade na política profissional porque não existem homens probos que acalentem sonhos de poder político. O poder político legitima-se em sua utilidade como instrumento de administração do que é coletivo. Para os interesses pessoais existe a iniciativa privada, mas nossos políticos não pensam assim.

Como política não é profissão, embora seja tratada como se fosse, a remuneração pela atividade nem deveria existir, muito menos as possibilidades infinitas de reeleição para cargo qualquer, em âmbito algum. Um político é alguém que só deveria entrar nessa, e sem imunidades ou ajudas de custo, se, além de vocação, tivesse condição de abrir mão de interesses pessoais pelo bem dos eleitores que representa durante o mandato. O que, no final das contas, resultaria em seu próprio benefício, já que ele é parte do todo.

Claro que quem rouba continuaria roubando, só que os cofres públicos economizariam na prebenda que mantém essa gente. Seria mais fácil dar cadeia a quem merece, não fosse esse país um truque.

Perdido nas trevas da ignorância, o Brasil precisa de luz além da do picadeiro. De menos equilibristas e mágicos, e não de mais leis; basta garantir cumprimento às já existentes, jogar fora as que caducaram.

Menos circo e mais pão. E o essencial: educação. E da boa, a que todo cidadão tem direito para desenvolver a capacidade crítica que o conduza em suas ações. Tudo que a plutocracia pró-apagão mais teme. Luz? Só nos palanques.

O atual governo, que ajudei a eleger, dá show de incompetência, desonestidade, de canalhices variadas. Espetaculoso, nessa altura do mandato prefere gastar mais de 200 milhões com a palhaçada de um referendo sobre desarmamento. Ora, ora, ora, na qualidade de eleitor vitalício do PT, porque votei nessa malta a vida inteira, eu peço que nos poupem, senhores! E aos nossos bolsos. É neles que vai acertar a bala perdida que a pantomima representa.

Tudo truque. Mambembe, obscuro. Começando pela forma como a questão está proposta, propositadamente confusa. É esperado que os milhões de semi-analfabetos votantes não compreendam o conceito e se confundam entre NÃO e SIM. Quem ultrapassar a dificuldade inicial, e for além da lógica simplória que propõe a proibição como forma de diminuir os riscos da violência, perceberá que é de uma ingenuidade ímpar confiar na falsa premissa de que uma lei possa mudar alguma coisa nessa terra de Sinhozinho, onde não vigora nem o mais básico Estado de Direito.

Tanta coisa por ser feita e a desgovernança gastando bala à toa, atirando no breu. Nessa questão, o buraco é bem mais em cima. E parte exatamente dali, do umbigo do Planalto Central, onde Legislativo, Executivo e Judiciário imiscuem-se em conluio com o poder econômico, o quarto poder, que realmente governa esse país e pretende que ele continue no escuro, sem sair do lugar, atirando em todas as direções enquanto é saqueado.