Feio não é bonito

cabezas

Desde que o mundo é mundo a gente quer ser bonito, porque é bonito e gostoso gozar da simpatia automática de quem nos mede dos pés à cabeça e gosta do que vê.

Coisas e pessoas bonitas carregam um encantamento que faz com que pareçam − embora, não raro, não sejam − confiáveis, de caráter superior.

Mas quem já foi filmado/fotografado uma vez na vida, tem QI mediano e é psicologicamente estável, entende ser virtualmente impossível apresentar características físicas mais que perfeitas, semelhantes às de modelos exibidos pelos media mundi, sem algum tipo de trucagem, seja um paninho inocentemente disposto sobre algum defeito, angulação ou luz diferente, ou recurso digital na pós-produção.

Tem gente que acha que não. Pira nas calorias da batatinha e quer porque quer cintura de boneca, nariz de cachorro pequinês, curvas de desenho animado, pele de látex, dentes de brancura azulada.

Está posta a mesa para que as autoridades do bem pensar, de n gêneros, se refestelem num banquete de insípidas teorias, decretando à sobremesa que vivemos a ditadura da imagética hiperapolínea.

E daí?

Daí pipocarem tolices do naipe daquela vigilância do Photoshop, com suas patéticas leis restritivas. Polêmica ready-made que, como não poderia deixar de ser, atrai políticos querendo fazer bonito, como insetos em busca de holofotes, até em Israel.

Não sei você, mas eu gosto de alegrar meu dia com a visão de gente que me hasteie a libido, pouco me importando se a beleza é ou não natural; de carne e osso, papel ou luz.

Que diferença faz se o corpo da Demi Moore na capa da W não era dela, como afirmaram por aí na época?

Agora, se a direção de arte foi porca e deixou uma das ancas fora de esquadro, bom… aê é pobrema, mano.

Meninas (ou nem tanto) que vomitam tudo que comem pra manter o esqueleto em evidência precisam de tratamento psiquiátrico, não de serem proibidas de se deleitar com a falsidade bonita das fotos em que ideais de beleza sobre-humanos são tratados como realidade. Transtorno que também atinge os homens, mais propensos à vigorexia.

No universo do entretenimento a verdade não voga como no reino da filosofia. Importa é a coceirinha gostosa que causa nos sentidos.

Essa é a real beleza da coisa, o resto é falácia. Filosofia de botequim pra vender sabonete. Outro lado da moeda da mesmíssima questão.