Superfábula

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Era de se esperar que o Super-Homem tivesse um megabeijo. Tal era seu poder de sucção, que as vísceras da vítima poderiam ser tragadas através da garganta.

Estômagos revirados, pedaços de intestino ao avesso a replicarem-se na imaginação determinaram que ele sempre trepasse sem beijar. Tinha pavor em matar alguém sem querer.

O mesmo com a ejaculação; a potência perfuraria cólons e úteros como bala perdida. Dada tal condição — aos desconhecidos tida como invejável —, aprendeu a fingir orgasmo. Um craque, gemia, revirava os olhos, crispava-se inteiro, mas foi ficando cada dia mais neurótico.

Em depressão, passou a beber todas as noites. Sempre que voava de volta pra casa causava algum pequeno acidente. Numa dessas vezes encontrou o Batman.

Desesperado, completamente trôpego, pediu ao colega que o levasse pra casa no batmóvel. No caminho, fora de si, implorou que o penetrasse (Claro, Clark, sempre tive tesão por você… mas o Robin não pode nem sonhar, hein?!).

Robin perdoou Batman pela pulada de cerca. Além do amor que sentia, sabia que essas coisas acontecem em uma relação de longa data. Mas jamais perdoou o vacilo do parceiro, que teve o pênis decepado pelo superesfíncter do kriptoniano.

Batman agora usa uma prótese. Clark renunciou definitivamente ao sexo. Robin, até hoje, trama sua vingança. O prato-que-se-come-frio ele já sabe em que microondas aquecerá.