Emagrecendo com Jesus

Proferir o santo nome de Deus e de sua diretoria executiva em vão é um dos pecados mais vulgares que se comete desde antes do surgimento das doze tábuas à atual era dos tablets, mas nem por isso menos grave, como assevera a Bíblia.

Entre os mais lucrativos endorsers dos mais diversos produtos e serviços, Jesus é campeão. A imagem do filho daquele que teria nos criado à sua semelhança beneficia a toda sorte de pessoas jurídicas. Naturalmente, à sua completa revelia e sem receber um centavo em copyright, pois em seu infinito altruísmo o copy de Cristo não é left nem right, mas free em essência.

Deu no NY Times dia desses que um Aaron Tabor, diet doctor (nutricionista? endocrinologista?), criou uma espécie de perfil de Cristo no Facebook que tem atingido o primeiro posto em curtição nos últimos meses. Trata-se do Jesus Daily – assim, com nome de suplemento alimentar – para quem busca as palavras d’Ele seja para o que for, inclusive manter-se na linha.

A página alimentada pelo dietista, supostamente criada com a mais pura e santa das intenções, é lógico, catapultou seu perfil e a fan page de seus serviços e produtos à celebridade e deve estar lhe rendendo dividendos bem gordos. O fogo do inferno nunca intimidou a lucrativa exploração da fé, nem a Receita Federal, que isenta associações com fins religiosos do recolhimento de qualquer tributo.

A web vai, literalmente, ainda mais longe. Jogue o nome de qualquer um desses donos de igreja no Google e confira. No território digital, os absurdos pastores eletrônicos se multiplicam como vírus, provando que a internet é ainda melhor que a TV como meio para esse tipo de cultura.

Um dos mais representativos da categoria, o homofóbico pastor Silas, que ganhou perfil estarrecedor na última Piauí, no qual expõe sem pudor algum parte da milionária movimentação financeira de sua “empresa em Cristo”, profetiza para breve um presidente evangélico.

Que Deus nos proteja!