Concerto no telhado

Seja qual for a razão pela qual você prefira ficar embaixo, saiba que estar por cima é também muito gostoso. Pode-se ver a vastidão que houver e sentir o vento à toda, perceber que existe vida ao redor do nosso umbigo. Sem anteparos, o céu nos recoloca em nossa minúscula dimensão. Mas, curiosamente, esta nos aparta da ideia de que o homo sapiens não valha nada e, empurrando as insignificâncias para um canto, restitui nosso valor universal.

Se como afirmam os metafísicos somos pouco mais que nada, quem concebeu esses prédios, a estereofonia, a aspirina, a culpa cristã e croissants tão saborosos? Quem, inspirado pelos raios, iluminou cidades e fez a luz nessa tela em que você lê nesse instante? Quem criou Deus?

Não sei se Brian Epstein pensava nessas coisas quando pôs os Beatles em cima do telhado (na verdade, a ideia foi do John, ele já estava morto há anos quando o famoso último concerto aconteceu nos tetos da Apple; mas tenho certeza de que, se vivo, teria inspirado aquele que mais o inspirava). Robertão em ritmo de aventura também viu São Paulo em seu melhor ângulo. Os U2 cansaram de subir no telhado, a princípio em Los Angeles, e viciaram. Como outros tantos, o SeuTubo tá aí pra quem quiser ver. Agora, são os Red Hot que aprontaram o mesmo no primeiro clipe oficial do disco lançado hoje, que a gente torce para que não seja o último.